quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

2º ENCONTRO DOS FERROVIÁRIOS NO CLUBE DE CAMPINAS

FESTA FERROVIÁRIA NO CLUBE RECREATIVO DE CAMPINAS No dia 03.12.16 o Clube Recreativo dos Ferroviários de Campinas sediou mais um encontro da classe envolvendo aposentados e ativos, num verdadeiro encontro de gerações. Um churrasco maravilhoso, recheado de gente da melhor qualidade, regado evidentemente de uma boa conversa ferroviária, relembrando causos e passagens que somente a mais apaixonada das profissões pode proporcionar. São anos e mais anos de estórias envolvendo alegrias e tristezas que acabam desaguando na inigualável paixão de ser ferroviário. O encontro contou com a colaboração de várias entidades, inclusive o sindicato dos ferroviários da Zona Mogiana que esteve presente com seu corpo de diretores – Domingos, Vandir Silva, Augusto Arduini, Carlos Carneiro, Márcio Mattar e Mário Ricardo. Domingos além de ser diretor do sindicato é também diretor do Clube Recreativo e ao lado de uma sólida diretoria vem proporcionando lazer e cultura aos ferroviários de Campinas e região. No encontro que contou também com familiares, os ferroviários puderam colocar o papo em dia, reencontrar velhos companheiros da linha e fazer novas amizades, afinal de contas vieram ferroviários de várias partes do país. O sindicato que sempre apoia o encontro espera que este se perpetue por muitos anos e que as novas gerações possam se apropriar do sonho de juntar toda família ferroviária num espaço que pertence a toda categoria – o clube do ferroviário é do ferroviário! Parabéns a toda diretoria do Clube Recreativo dos Ferroviários e a todos que colaboraram e compraram a ideia de unir forças em prol do bem comum.

ATO 168 TST

DO QUE SE TRATA O ATO 168 DO TST? Trata-se de um ato editado em abril de 2016 pelo TST – Tribunal Superior do Trabalho e tem como objetivo instituir uma alçada de mediação/conciliação pré-processual no sentido de permitir que as partes dentro de um dissidio coletivo possam se conciliar tendo como mediador a instância máxima do Direito do Trabalho, de forma a evitar que a controvérsia negocial termine, por exemplo, numa greve, mas em caso de greve, o ato também pode ser a ferramenta de solução do conflito. Eis o texto do ATO Nº 168/TST.GP, DE 4 DE ABRIL DE 2016. Fonte: Diário Eletrônico da Justiça do Trabalho, Brasília, DF, n. 1950, 5 abr. 2016. Caderno Administrativo [do] Tribunal Superior do Trabalho, p. 1-2. TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO PRESIDÊNCIA ATO Nº 168/TST.GP, DE 4 DE ABRIL DE 2016. Dispõe sobre os pedidos de mediação e conciliação pré-processual de conflitos coletivos no âmbito do Tribunal Superior do Trabalho. O PRESIDENTE DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO, no uso das atribuições legais e regimentais, Considerando a competência do Ministro Vice-Presidente para conciliar em Dissídios Coletivos (art. 36, IV, do RITST); Considerando o disposto no art. 764 da CLT, o qual estabelece a valorização da conciliação como forma de solução de conflitos, incentivando o Judiciário a buscar todos os meios adequados e eficientes para a busca da solução conciliatória; Considerando o êxito da Vice-Presidência do TST durante o biênio 2014/2016 na solução e prevenção de conflitos coletivos por meio de tratativas pré-processuais, inclusive no sentido de evitar o ajuizamento de dissídios e proporcionar a mais ampla pacificação social no âmbito das categorias profissionais e econômicas submetidas a tal procedimento; Considerando que a Resolução 125 do CNJ estimula a valorização dos meios adequados de solução de conflitos enquanto política Judiciária; Considerando os fundamentos invocados no Ato Conjunto TST.CSJT.GP N.º 009, de 11 de março de 2016; Considerando a importância e necessidade de prevenção dos conflitos coletivos de trabalho; RESOLVE: Art. 1º Fica instituído por meio do presente ato o procedimento de mediação e conciliação pré-processual em dissídios coletivos, a ser conduzido e processado no âmbito da Vice-Presidência do Tribunal Superior do Trabalho. Art. 2º Podem ser submetidos ao procedimento de mediação e conciliação pré-processual as relações jurídicas passíveis de submissão a dissídio coletivo de natureza econômica, jurídica ou de greve.

KM 202 - UMA NOVELA SEM FIM

Usualmente a FCA – Ferrovia Centro Atlântica S/A não é muito afeita em cumprir determinações judiciais ou algo correlato. Pelo princípio da boa fé, no dia 02 de dezembro o sindicato cumprindo determinação do MPT – Ministério Público do Trabalho de Araraquara – SP esteve presente no KM 202 realizando a vistoria. O referido quilômetro este situado entre as estações ferroviárias de Tambaú e Santos Dumont e tem sido objeto de reiteradas denuncias pelos trabalhadores sobre as condições de falta de segurança do local devido a queda de pedras. O procedimento 000342-2012.15.003-8 que iniciou em 2012 e até hoje está em aberto contou com o seguinte despacho em audiência realizada no dia 26.10.2016: Vejam pelas fotos que a FCA descumpriu a determinação de efetuar a limpeza para a posterior inspeção em conjunto. Notem que ao sindicato assiste razão quando defende que as pedras continuam a cair no local. Evidentemente que após a realização das obras, fruto do inquérito, a incidência de queda de pedras diminuiu, porém o sindicato com muito zelo acompanha o discurso da empresa de que “a segurança e a vida dos empregados está em primeiro lugar”. O sindicato exige que o discurso da FCA venha acompanhado de práticas para que uma empresa séria deste porte não passe a figurar como uma empresa de fantasia. Somos uma entidade ordeira e primamos pelo cumprimento das determinações judiciais para que posteriormente, estando o local seguro para o trânsito dos empregados, possamos encerrar o procedimento do “quilômetro da morte”. Em audiência a empresa mencionou que não havia incidência de queda de pedras, que a linha tinha sido estabilizada em agosto, e que faria a limpeza das pedras remanescentes e limparia o sistema de drenagem para posterior vistoria. Decorrido o prazo e nada foi feito! Diante da postura omissa da FCA em não realizar a limpeza do local, retirando os detritos para que pudéssemos acompanhar a ocorrência ou não de queda de material, não restou alternativa ao sindicato senão peticionar no processo informando a inércia da empresa para que o MM Ministério tome as providências que achar cabíveis diante da urgência que o caso pede.

HOMENAGEM DE UM NETO - EMOCIONANTE

Todos os meses ao receber o jornal do Sindicato, sempre fiz questão de abri-lo imediatamente ao meio para ver a nota de falecimento, e humildemente prestar minha última homenagem em uma prece de coração, aos queridos companheiros que nos antecederam e muito nos ensinaram e também a seus preciosos parceiros, cônjuges e pensionistas, que lado a lado com os mesmos tiveram suas alegrias, tristezas, prazeres e muitos outros sentimentos, que só nós ferroviários sabemos o significado. Minha tristeza hoje é ter que me recolher às memórias do passado para despedir-me de uma mulher forte, vigorosa, lúcida e que adorava viver, mesmo com suas dores e problemas de saúde devido aos anos dedicados a residir ao longo da via. Desde Canindé no antigo traçado; até o ramal de Itaú e estação antiga de Ribeirão Preto, onde lavou roupas e fornecia refeições para colegas de trabalho do meu avô Geraldo Júlio Vital – eletricista na Cia Mogiana, para colaborar com o orçamento da casa. Descanse em paz minha querida avó Efigênia Soares Vital! Obrigado por todo o esforço, empenho e dedicação com que lutou 8,6 décadas. Deus a conforte em seus braços minha querida “Vozinha”, a mais cheirosa que conheci em toda vida, e é com muita dor que nos despedimos de você. Descanse em paz, saudades eternas do seu neto e todos seus familiares e amigos. Everson Vital Pinto Maquinista em Ribeirão Preto

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

REUNIÕES COM A BASE

Entre os dias 17 e 21 de novembro o sindicato sob o comando do presidente Paulo Francisco, percorreu toda sua base de representação no âmbito da FCA – Ferrovia Centro Atlântica S/A com o intuito de prestar esclarecimentos acerca de sua posição de solicitação um conciliação/mediação no TST – Tribunal Superior do Trabalho na esteira do que preconiza o Ato 168/TST. Esta é uma posição acompanhada e pactuada pelos demais sindicatos que compõe a Unidade Sindical Ferroviária (Mogiana, Rio de Janeiro, Sorocabana, Bahia e Sergipe) e visa quebrar o “script do mal” onde somente tem validade a pauta de reivindicações da empresa, ao passo que a pauta dos trabalhadores é totalmente desprezada quase que na íntegra. Além da discordância com pontos do conteúdo, a Unidade Sindical discorda da forma como se processam as negociações, onde a FCA impede que algumas cláusulas sejam sequer discutidas. A categoria foi informada sobre os objetivos da mediação, pois além de tudo a empresa pretende vincular o acordo 2015 – em ação de cumprimento – com o atual acordo que sequer estabeleceu a reposição total da inflação, além de prejuízos no campo social. Na oportunidade o sindicato pode fazer o contraponto de ideias, uma vez que os empregados só conheciam as alegações da empresa. Ademais se esclareceu sobre o impedimento de entrada do sindicato nos próprios da empresa para cumprir seu papel principal de fiscalização. A categoria que se fez presente em grande número aos DSS’s – Informativos, teve a oportunidade de entender os meandros de uma negociação coletiva, as prerrogativas de uma entidade sindical, conhecer a proposta da empresa na íntegra e não somente na parte econômica e questionar e sanar as dúvidas sobre os desdobramentos da conduta eleita pelos sindicatos para solucionar o conflito pela via negocial, pois “É negociando que se evita uma greve” alertou Paulo Francisco, acrescentando que “Os sindicatos estão abertos a negociar e quem encerrou a negociação de forma unilateral foi a FCA”. Na oportunidade o sindicato observou que aqueles empregados ligados às lideranças e que recebem altos salários, estão alinhados com a empresa, ao passo que os empregados que formam a base da pirâmide alinham-se ao discurso de resistência e já se mobilizam em estado de greve. Não podemos aceitar a forma de se negociar da FCA e devemos ousar e avançar e nunca retroceder – como deseja a FCA.

UBERABA UM CASO DE POLÍCIA

No dia 29 de outubro por volta das 03:00h da madrugada o alojamento destinado ao descanso dos empregados na cidade de Uberaba – MG foi invadido por dois bandidos – portas e portão foram arrombados. A situação só não teve maiores desdobramentos por sorte ou destino, pois a intenção era realmente a subtração de objetos eletrônicos que já estavam devidamente separados pela dupla, conforme relato dos empregados que lá descansavam. O descanso em alojamentos está previsto em nosso acordo coletivo de trabalho vigente e figura como contraproposta de renovação de cláusula para o próximo ACT 2016.2017 com a FCA/VLI. Entendemos que a empresa deve discutir particularidades e somente proceder ao descanso em alojamentos onde estejam previstas condições mínimas de segurança. Pra quem discursa tanto sobre segurança, a liberação do alojamento após processar os devidos consertos e colocar cadeados e trancas dois dias depois do ocorrido não parece atitude saudável para quem diz presar por este valor – depois da casa arrombada colocaram cadeados! O descanso para os empregados de uma empresa deste porte deveria em nossa visão ocorrer preferencialmente em hotéis e os alojamentos seriam a exceção e não a regra como ocorre atualmente; de forma a proporcionar um real descanso em condições seguras. O sindicato já deu vários feedbacks para a empresa sobre outro alojamento - Ribeirão Preto – localizado em região inóspita, o mesmo está na iminência de ocorrer fato semelhante. Não podemos admitir que um empregado cansado por uma dura jornada de trabalho não consiga ao menos ter a oportunidade de se refazer e recobrar suas forças para uma nova jornada. Os empregados mencionam sua apreensão com esta condição e já dizem não conseguir dormir direito no alojamento de Uberaba após o incidente, que conforme relato poderia ser evitado com medidas simples, bastando somente um pouco mais de preocupação com as pessoas. Na data do ocorrido a empresa retirou os empregados do local, realocando-os num hotel, confessando assim ser esta medida a melhor solução para o efetivo descanso dos companheiros. A partir do momento em que a FCA/VLI passar a enxergar seus empregados como gente e não como força de trabalho, determinadas condições passarão a ser melhor verificadas com a devida atenção e carinho e assim a segurança será de fato um valor da companhia e não um discurso.

LUTAR PRA VENCER!

JORNADA EM TURNO ININTERRUPTO DE REVEZAMENTO

Pergunta = Qual a jornada legal para quem trabalha em turno de ininterrupto de revezamento, o que diz a lei? Resposta = O trabalho em turno é aquele em que grupos de empregados se sucedem nos mesmos locais de trabalho, cumprindo horários que permitam o funcionamento sem interrupções da empresa. Desta forma, considera-se que um trabalhador desenvolve suas atividades em turnos ininterruptos de revezamento quando sua jornada de trabalho abrange o dia e noite, ou seja, suas escalas de serviço são praticadas ora na parte da manhã, ora na parte da tarde e ora na parte da noite. Assim nossa constituição federal em seu artigo 7º, inciso XIV limita esta jornada em 06 horas diárias. CF. Art. 7º. XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; Tal limitação tem por objetivo proteger a saúde do empregado, vez que este tipo de jornada de trabalho abrange várias horas do dia e da noite, ou seja, ora na parte da manhã, ora na parte da tarde, e ora na parte da noite, trazendo um desgaste muito maior para o trabalhador do que as jornadas convencionais; provocando uma considerável alteração do relógio biológico do empregado. Muito embora tal garantia consista numa vitória para o trabalhador, o artigo em destaque de nossa Constituição Federal possui uma vírgula e na continuidade da leitura do artigo percebemos a expressão “salvo negociação coletiva” e este é o problema; pois por meio de negociação coletiva é possível a majoração de tal jornada em até 2 horas, de acordo com a súmula 423 do TST – Tribunal Superior do Trabalho. Sendo assim, ano após ano temos majorado nossa jornada de 6 horas para 8 horas diárias por meio da negociação de nosso ACT- Acordo coletivo de Trabalho. Da mesma forma que tal acordo também permite a prática de um banco de horas e por meio de um acordo específico autoriza a empresa a praticar a escala de 4x4, onde o empregado compensa as horas trabalhadas acima da jornada com dias de folgas. Em que pese que tais acordos terem sido ratificados em assembleias, o sindicato tem total discordância com tal prática; no entanto é o que tem sido reiteradamente aprovado pela categoria.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

GREVE

NO QUE CONSISTE O DIREITO DE GREVE? A constituição federal coloca a greve no Titulo “Dos Direitos e Garantias Fundamentais”, em virtude disso ela é encarada como um direito social dos trabalhadores, amparada também pela Lei n. 7.783, de 28 de junho de 1989. Sendo assim, a greve é um instrumento importantíssimo de pressão social, ajudando a equilibrar as negociações com os empregadores. O professor Sérgio Pinto Martins define o aspecto da greve da seguinte forma: ”Trata-se de suspensão coletiva, pois a suspensão do trabalho por apenas uma pessoas não irá constituir greve…”, “A suspensão do trabalho deve ser temporária e não definitiva, visto que se for por prazo indeterminado poderá acarretar a cessação do contrato de trabalho…” e que ”A paralisação deverá ser feita de maneira pacifica, sendo vedado o emprego de violência. As reivindicações deverão ser feitas com ordem, sem qualquer violência a pessoas ou coisas.” Acrescenta o nobre doutrinador que “Aos trabalhadores é que compete decidir sobre a oportunidade do exercício do direito de greve (art. 1, da lei 7.783/89). Eles é que irão julgar qual o momento conveniente em que a greve ira ser deflagrada.” Desta forma concluímos que o direito de greve é uma garantia constitucional e fundamental no sentido de equilibrar a relação conflituosa entre o capital e o trabalho em caso da impossibilidade de uma solução amigável.

KM 472...TUDO SOB CONTROLE E SEGURO....SEI !

quinta-feira, 10 de março de 2016

LUTO NOS TRILHOS

No dia 13 de fevereiro o maquinista George Fagner da Rocha Silva, faleceu em decorrência de um acidente ferroviário na serra entre Licínio de Almeida e Urandi. O acidente foi classificado pelos sindicalistas da base Bahia e Sergipe como sendo uma tragédia anunciada em decorrência de vários alertas sobre a ausência de manutenção na localidade. Muito embora o presidente Marcello Spinelli tenha reconhecido a responsabilidade da empresa pelo acidente; ao ser questionado por um empregado se o acidente não poderia ter sido evitado não caso o maquinista não estivesse trabalhando em monocondução, devolveu a pergunta “e a empresa aguenta?”, derrubando por terra o discurso da empresa de que a vida é o seu maior valor. Os ferroviários da base Mogiana se solidarizaram com os familiares do companheiro George e na oportunidade usaram durante uma semana uma fita preta no uniforme como forma de demonstração da tristeza que abateu todos nós ferroviários. Paralelamente em nossa reunião de formação de pré- pauta os sindicatos da Unidade Sindical Ferroviária encaminharam uma moção endereçada ao presidente da FCA – Ferrovia Centro Atlântica S/A em repúdio pela falta de manutenção no trecho e forma drástica da morte do companheiro que morreu queimado e só encontrado após horas. Nosso companheiro George se foi e sobre isso não temos mais ação, porém o sindicato espera que esta morte sirva de exemplo para a empresa que de forma reiterada não vem processando as manutenções preventivas como deveria, de forma a expor os empregados a uma condição insegura.

SEMANA DE LUTA

O Sindicato Mogiana na semana de 23 a 27 de fevereiro cumpriu uma agenda extensa que se iniciou com o encontro com os trabalhadores terceirizados da PRUMO ENGENHARIA na estação de Mangabeira, onde o presidente Paulo Francisco e os diretores Mário Ricardo e Vandir Silva puderam verificar as condições de trabalho desta terceirizada que presta serviços em nossa base sindical. Na oportunidade o presidente falou com os trabalhadores e reforçou sobre a necessidade de mantermos uma entidade sindical forte na defesa dos interesses daqueles que mais precisam. Nas sequencia realizou-se reunião de acompanhamento do acordo coletivo 2014/2016 na cidade de Uberaba – MG - tratada neste jornal. No dia 24 o sindicato visitou o terminal integrador de Uberaba – MG (TIUB) nas proximidades da antiga estação de Irara, onde pode comprovar que a FCA – Ferrovia Centro Atlântica S/A tem feito investimentos vultuosos em nossa base sindical, tudo para poder atender uma demanda reprimida de escoamento tanto de grão como de açúcar. O terminal ainda está em obras e realizando testes, sendo assim uma nova visita será agendada para meados de maio para conhecermos de fato o maior e mais moderno terminal da América Latina. No dia 25 visitamos o terminal integrador de Guará – SP (TIGU), onde o presidente pode conhecer de perto um terminal extremamente moderno na captação armazenamento e distribuição de açúcar a granel. Nota negativa para a impossibilidade da participação maciça dos empregados, em que pese o terminal estar em manutenção por conta da entre safra, o que torna injustificável a ausência dos trabalhadores nesta reunião sindical. Continuando com a agenda, no dia 25 estivemos reunidos com os empregados em Paulínia – SP, onde após a realização do DSS – dialogo semanal de segurança, pudemos esclarecer vários pontos na visão do sindicato acerca do ACT- acordo coletivo de trabalho 2014/2016, ações judiciais em curso e seus desdobramentos, necessidade de sindicalização para manutenção da entidade como também o tratamento dispensado pela chefia da localidade que se portam como verdadeiros atores na presença dos sindicalistas. Após esta reunião, os sindicalistas foram verificar as obras que a empresa alegava ter feito na estação de boa vista nova com o intuito de dar maiores e melhores condições de trabalho e segurança aos empregados que laboram na localidade e comprovamos que as várias denuncias feitas pelo sindicato, tanto para a FCA como também para os órgãos de segurança pública, renderam resultados e podemos afirmar que a situação mudou “da agua pro vinho”, porém não existe nada perfeito e acabado que não possa ser melhorado e desta forma o sindicato continuará acompanhando e recebendo denuncias para poder atuar, preservando e cuidando da vida de seus representados. Nos dia 26 e 27, o sindicato se reuniu com os representantes sindicais das bases Sorocabana, representado pelo seu Presidente Izac de Almeida, Cicero Amaro Bezerra da Silva, José Humberto dos Santos e Rogério Pinto dos Santos, Rio de Janeiro, representado pelo seu Presidente Paulo de Tarso Pessanha Ferreira, Bahia e Sergipe, representado pelo Coordenador Geral Antônio Eduardo Nascimento Oliveira e Milton Ferreira da Silva com o intuito de discutir e formatar a pré – pauta para início das negociações do ACT 2016/2017. Chegamos a conclusão que a luta será árdua e esta passa diretamente no contato que temos com a categoria e para que isso se consolide, não podemos aceitar a manutenção de cláusulas historicamente prejudiciais no corpo de nosso acordo coletivo, o que dificulta e fragiliza a mobilização dos trabalhadores. Em nossa incursão na base pudemos verificar os investimentos que foram feitos em locomotivas, vagões, estruturas, pátios, terminais, linhas e chegamos a conclusão que a FCA vai muito bem obrigado de saúde financeira e é assim que desejamos que continue, cada vez mais valiosa e lucrativa, no entanto o lucro não pode de nenhuma forma representar a desgraça dos empregados. Tendo sido uma semana muito proveitosa e produtiva, não poderíamos deixar de constar que o Presidente Paulo Francisco do alto de seus 78 anos, remoçado pelos ares do contato direto com os trabalhadores da base e com disposição de menino, está rejuvenescido e pronto para os embates diários na luta entre o capital e o trabalho e “entre a desonra e a guerra” optou obviamente pelo combate.

domingo, 3 de janeiro de 2016

Bronca com apê de Chico Buarque em Paris expõe intolerância e ressentimento

Pra quem odeia, o que dói mais é o sorriso! Pingos nos is: na essência, o que houve no Leblon na noite da segunda-feira não foi bate-boca. E sim intimidação e provocação de um grupo de jovens adultos contra Chico Buarque, 71, e amigos com quem o artista passeava, depois de jantar. Chico estava na dele. O ato hostil decorre do que na cachola de intolerantes constitui delito de opinião. A, B ou C? É o de menos. Poderia ser qualquer uma. O crime é ter e expressar opinião diversa. “Você gravou um vídeo apoiando a Dilma'', disse em tom acusatório um dos participantes do cerco. Diante da agressividade, Chico tentou esgrimir ideias. Pode-se concordar ou divergir dele. O inaceitável é levar uma dura por acreditar nisso ou naquilo. O compositor que criou uma canção falando “no tempo da delicadeza'' escreveu sobre um porvir que parece cada vez mais alucinação utópica. “Você é um merda'', berrou um sujeito para ele. A desqualificação do interlocutor é característica autoritária. O mal não é apenas o que o outro pensa, mas o outro. No fundo, trai a indigência de argumentos. “Vai correr daqui já?'', urrou um valentão de ópera-bufa. Como Chico é Chico, enquanto rostos vincados pelo ódio o miravam, ele reagia com sorrisos. Para quem odeia, o que dói mais é o sorriso. Retrato do Brasil, os insultos no Leblon são herança de nossas raízes. Não somos a terra de gente cordial, mas onde a escravidão foi mais longeva, onde a desigualdade obscena campeia, onde depois de vencidos adversários são decapitados (de Canudos ao Araguaia, passando pelo cangaço). Os intolerantes de anteontem aparentemente não querem cortar a cabeça de ninguém. Talvez somente arrancar as cordas vocais. Pensar até pode. Falar seria prerrogativa de quem pensa igual. O surto na noite do Rio têm outras ascendências. Na Alemanha da década de 1930, os nazistas perseguiam também quem ousava dizer não. Os intolerantes da segunda-feira formam no que um protagonista do Brasil republicano ironizava como “a turma do Jockey''. Núcleos de grã-finos que pretendem impor a qualquer preço ideias e interesses. Outro traço distintivo é a vulgaridade de certa elite, como contemplado no vídeo que nasceu como documento histórico e antropológico (para assisti-lo, é só clicar aqui). Já de início a abordagem a Chico Buarque foi vulgar, tomando árvores pela floresta: “Todo mundo era seu fã, Chico''. Um dos intolerantes, Alvaro Garnero Filho, é rebento do empresário Alvaro Garnero. O pai “confirmou a presença do filho no episódio'' e “disse que teve de explicar a Alvarinho quem era Chico Buarque“. Quer vulgaridade e ignorância maiores que um marmanjo com acesso à educação e à cultura precisar de explicação, no século 21, sobre quem é Chico Buarque? O milionário Alvaro Garnero é um dos herdeiros do grupo Monteiro Aranha. A nau da intolerância guarda lugar para os ressentidos. O mesmo indivíduo que chamou Chico Buarque de “merda'' falou: “Para quem mora em Paris, é fácil''. Vacilou: “Você mora em Paris, não mora?'' Chico mora ali pertinho, no Leblon. Logo outro provocador emendou “Tem um apartamento lá em Paris. É gostoso Paris, né?'' A bronca com o apê de Chico em Paris é o vômito dos ressentidos. No Marais ou na Île Saint-Louis, o autor de “Vai trabalhar, vagabundo'' o comprou com dinheiro ganho honestamente. Ao contrário de alguns brasileiros donos de imóveis na Europa, não recebeu de herança seu apartamento. E se tivesse? Adquiriu-o com a grana suada do seu trabalho. Qual o problema? Os fascistoides agora viraram partidários da propriedade coletiva? De uma parte deles, Chico é alvo do ressentimento comum a determinada classe média que abomina pobre e inveja rico. Nesse caso, merda é a inveja. Para os ricos-ricos, Chico é um traidor. Traidor de classe. Como pode um cidadão que vive no Leblon e tem apê na França não votar como a esmagadora maioria dos endinheirados? Soa como exigência de fidelidade de classe. A diferença equivale a traição. O silêncio sobre o comportamento primitivo e intolerante é conivente. Vale o clichê: quem cala consente. Não está em jogo, enfatizo, o mérito das opiniões de Chico Buarque, mas o direito democrático de manifestação dele e de todos os brasileiros. Muita gente ralou para que opinar não resultasse mais em cana e castigo. Só o que faltava era um bando furioso de intolerantes e ressentidos levar a melhor em sua cruzada obscurantista, rancorosa e vulgar. Fonte: http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2015/12/23/bronca-com-ape-de-chico-buarque-em-paris-expoe-intolerancia-e-ressentimento/