quinta-feira, 10 de março de 2016

LUTO NOS TRILHOS

No dia 13 de fevereiro o maquinista George Fagner da Rocha Silva, faleceu em decorrência de um acidente ferroviário na serra entre Licínio de Almeida e Urandi. O acidente foi classificado pelos sindicalistas da base Bahia e Sergipe como sendo uma tragédia anunciada em decorrência de vários alertas sobre a ausência de manutenção na localidade. Muito embora o presidente Marcello Spinelli tenha reconhecido a responsabilidade da empresa pelo acidente; ao ser questionado por um empregado se o acidente não poderia ter sido evitado não caso o maquinista não estivesse trabalhando em monocondução, devolveu a pergunta “e a empresa aguenta?”, derrubando por terra o discurso da empresa de que a vida é o seu maior valor. Os ferroviários da base Mogiana se solidarizaram com os familiares do companheiro George e na oportunidade usaram durante uma semana uma fita preta no uniforme como forma de demonstração da tristeza que abateu todos nós ferroviários. Paralelamente em nossa reunião de formação de pré- pauta os sindicatos da Unidade Sindical Ferroviária encaminharam uma moção endereçada ao presidente da FCA – Ferrovia Centro Atlântica S/A em repúdio pela falta de manutenção no trecho e forma drástica da morte do companheiro que morreu queimado e só encontrado após horas. Nosso companheiro George se foi e sobre isso não temos mais ação, porém o sindicato espera que esta morte sirva de exemplo para a empresa que de forma reiterada não vem processando as manutenções preventivas como deveria, de forma a expor os empregados a uma condição insegura.

SEMANA DE LUTA

O Sindicato Mogiana na semana de 23 a 27 de fevereiro cumpriu uma agenda extensa que se iniciou com o encontro com os trabalhadores terceirizados da PRUMO ENGENHARIA na estação de Mangabeira, onde o presidente Paulo Francisco e os diretores Mário Ricardo e Vandir Silva puderam verificar as condições de trabalho desta terceirizada que presta serviços em nossa base sindical. Na oportunidade o presidente falou com os trabalhadores e reforçou sobre a necessidade de mantermos uma entidade sindical forte na defesa dos interesses daqueles que mais precisam. Nas sequencia realizou-se reunião de acompanhamento do acordo coletivo 2014/2016 na cidade de Uberaba – MG - tratada neste jornal. No dia 24 o sindicato visitou o terminal integrador de Uberaba – MG (TIUB) nas proximidades da antiga estação de Irara, onde pode comprovar que a FCA – Ferrovia Centro Atlântica S/A tem feito investimentos vultuosos em nossa base sindical, tudo para poder atender uma demanda reprimida de escoamento tanto de grão como de açúcar. O terminal ainda está em obras e realizando testes, sendo assim uma nova visita será agendada para meados de maio para conhecermos de fato o maior e mais moderno terminal da América Latina. No dia 25 visitamos o terminal integrador de Guará – SP (TIGU), onde o presidente pode conhecer de perto um terminal extremamente moderno na captação armazenamento e distribuição de açúcar a granel. Nota negativa para a impossibilidade da participação maciça dos empregados, em que pese o terminal estar em manutenção por conta da entre safra, o que torna injustificável a ausência dos trabalhadores nesta reunião sindical. Continuando com a agenda, no dia 25 estivemos reunidos com os empregados em Paulínia – SP, onde após a realização do DSS – dialogo semanal de segurança, pudemos esclarecer vários pontos na visão do sindicato acerca do ACT- acordo coletivo de trabalho 2014/2016, ações judiciais em curso e seus desdobramentos, necessidade de sindicalização para manutenção da entidade como também o tratamento dispensado pela chefia da localidade que se portam como verdadeiros atores na presença dos sindicalistas. Após esta reunião, os sindicalistas foram verificar as obras que a empresa alegava ter feito na estação de boa vista nova com o intuito de dar maiores e melhores condições de trabalho e segurança aos empregados que laboram na localidade e comprovamos que as várias denuncias feitas pelo sindicato, tanto para a FCA como também para os órgãos de segurança pública, renderam resultados e podemos afirmar que a situação mudou “da agua pro vinho”, porém não existe nada perfeito e acabado que não possa ser melhorado e desta forma o sindicato continuará acompanhando e recebendo denuncias para poder atuar, preservando e cuidando da vida de seus representados. Nos dia 26 e 27, o sindicato se reuniu com os representantes sindicais das bases Sorocabana, representado pelo seu Presidente Izac de Almeida, Cicero Amaro Bezerra da Silva, José Humberto dos Santos e Rogério Pinto dos Santos, Rio de Janeiro, representado pelo seu Presidente Paulo de Tarso Pessanha Ferreira, Bahia e Sergipe, representado pelo Coordenador Geral Antônio Eduardo Nascimento Oliveira e Milton Ferreira da Silva com o intuito de discutir e formatar a pré – pauta para início das negociações do ACT 2016/2017. Chegamos a conclusão que a luta será árdua e esta passa diretamente no contato que temos com a categoria e para que isso se consolide, não podemos aceitar a manutenção de cláusulas historicamente prejudiciais no corpo de nosso acordo coletivo, o que dificulta e fragiliza a mobilização dos trabalhadores. Em nossa incursão na base pudemos verificar os investimentos que foram feitos em locomotivas, vagões, estruturas, pátios, terminais, linhas e chegamos a conclusão que a FCA vai muito bem obrigado de saúde financeira e é assim que desejamos que continue, cada vez mais valiosa e lucrativa, no entanto o lucro não pode de nenhuma forma representar a desgraça dos empregados. Tendo sido uma semana muito proveitosa e produtiva, não poderíamos deixar de constar que o Presidente Paulo Francisco do alto de seus 78 anos, remoçado pelos ares do contato direto com os trabalhadores da base e com disposição de menino, está rejuvenescido e pronto para os embates diários na luta entre o capital e o trabalho e “entre a desonra e a guerra” optou obviamente pelo combate.