quarta-feira, 20 de maio de 2015

A HIPOCRISIA NOSSA DE CADA DIA.

“A história de todas as sociedades tem sido a história das lutas de classe”. Karl Marx Vinte e cinco anos depois da queda de Fernando Collor de Mello, o termo impeachment volta aos noticiários nacionais. As circunstâncias que trazem, entretanto, são muito distintas. Quando a bandeira do impeachment de Collor fora içada, eram facilmente reconhecidos os líderes do movimento, que em pouco tempo levou multidões às ruas pedindo a cabeça do então presidente. Partidos oposicionistas se declaravam abertamente favoráveis ao impedimento do mandatário e o Congresso Nacional cumpria o seu papel de processar e julgar os crimes cometidos. O panorama hoje é outro. Como num passe de mágica, surgiram “movimentos sociais” que se autointitulam os verdadeiros responsáveis pelas manifestações que grassam pelo país. Nas ruas, Eu Amo o Brasil, Basta Brasil, Mudança Já, e outros tantos de que eu e você jamais ouvimos falar, tomam os microfones, câmeras e, sobretudo a internet, para “liderar uma marcha nacional contra a corrupção”. De carona, bolsonarianos, neonazista, homofóbicos e companhia, aproveitam a balburdia para protestar pela volta de um regime que punia com a morte, sem julgamento, quem ousasse protestar. Enquanto isso, PSDB, DEM e PPS, que governaram o Brasil por uma década e nada produziram em favor dos trabalhadores, fazem charme dizendo simplesmente que apoiam as manifestações populares, e que o povo está pedindo ética e moral na condução da república. O enredo seria perfeito, se os atores fossem capazes de sustentar a própria farsa. Um olhar atento sobre as manifestações “populares” traz luzes ao cenário. Gente que costumeiramente só andas nas ruas de carro importado, se arrisca na avenida Paulista com seus tênis igualmente importados e óculos de sol que valem dez salários mínimos. Empresários que não pagam seus impostos, profissionais liberais que ludibriam seus clientes mantendo em suas contas particulares o dinheiro que para eles conquistaram... Ou simplesmente famílias que resolveram passar pela manifestação antes do almoço de domingo em um restaurante de luxo, vão à rua gritar contra a corrupção petista. Porque será que não aproveitam tão singular reunião para gritar também contra o cartel do metrô em São Paulo, ou o mensalão tucano em Minas Gerais? Será que o objetivo é combater a corrupção de esquerda, e relevar a corrupção de direita? Onde estão os estudantes caras pintadas, os garis, os sindicatos? Onde está o povo que não vemos nas manifestações “populares”? Fato é que a oposição não deseja realmente o impeachment da presidente Dilma, porque tirá-la do governo e entregá-lo a Michel Temer seria municiar a maior máquina eleitoral que esse país já viu: o PMDB. E assim assinar a própria sentença de morte para as eleições de 2018. O que querem é paralisar o governo, mantendo-o refém do Congresso e incapaz de combater a crise econômica que, depois de fazer estragos por todo mundo, começa a se fazer sentir também ao Brasil. Não se negue que o PT errou, e errou muito, mantendo em seus quadros pessoas que, nas palavras de Frei Betto, trocaram um projeto de Brasil por um projeto de Poder. Para esses, entretanto, temos hoje uma Polícia Federal livre para investigar, um poder Judiciário independente para processar, julgar e condenar; e um Ministério Público atuante, quem nem de longe lembra os anos sombrios do engavetador geral da república, que blindava até no nome o governo tucano. Sejamos democráticos. Todos podem e devem se manifestar em defesa de seus ideais. Melhor uma passeata de burgueses do que a censura ou o calabouço. Mas lembremo-nos que democracia de verdade se faz com convencimento legítimo, não com farsas e discursos vazios. Juliano Martins de Lima (Mtb 34124): Jornalista, Biomédico e Advogado.

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