quarta-feira, 18 de agosto de 2010

SINAL DOS TEMPOS

Olha o Dr.Juliano Martins aqui novamente!!!

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá”
Gonçalves Dias


ORDEM E PROGRESSO


Manhã de sol em São Vicente, chama à atenção, no topo de um morro, uma imensa bandeira brasileira.
Sabedor do valor histórico que a cidade representa na história nacional e, movido pela curiosidade, pergunto a um morador que tipo de construção é aquela. Algum antigo forte, prédio público ou coisa assim?
Surpreso, fui informado que se tratava apenas de uma residência, na qual o proprietário mantém impecavelmente aquele que chama de “Pavilhão Nacional”. Tais palavras, embaladas pelo som harmonioso do mar, fizeram sentir como é bom ser filho desta “Pátria amada, mãe gentil”.
Passam os anos e as bandeiras tremulam por todos os cantos do país. O motivo, desta feita, é a copa do mundo que faz vibrar duzentos milhões de corações. Não há rua, calçada, comércio ou indústria, onde não exista ao menos um modesto lábaro estrelado a nos lembrar que é tempo de torcer pelo Brasil.
Pela TV acompanho o povo sul-africano que, recebendo cordialmente cidadãos de todo o mundo, faz questão de levar a festa até Soweto. O palco do imbecil massacre racista de 1976 transforma-se em arena mundial, onde todos os povos se encontram e, respeitando as regras do jogo, buscam a glória pacífica que o esporte traduz em alegria. A terra de Nelson Mandela, Steve Biko e Desmond Tutu, mostra ao mundo que, a despeito dos tantos resquícios da exploração inglesa, é possível construir um novo paradigma alicerçado na tolerância e no respeito às diferenças.
Em quatro anos, seremos nós os anfitriões desta mesma festa, e a expectativa faz brotar uma inquietante questão: Que Brasil apresentaremos aos povos que, de todo mundo, virão conhecer o “país do futebol”? O que sabemos de nossa história, de nossas lutas, dos sorrisos e lágrimas que construíram esta Terra de Santa Cruz?
Será que os duzentos milhões de técnicos, capazes de determinar num relance a escalação ideal do escrete nacional e indignados pelas ausências de patos e gansos; saberão escalar, na seleção de nossa história, os homens e mulheres que bravamente conquistaram para nós a taça da solidariedade, da paz e da liberdade?
Lembrar-se-ão que esta é a terra de Betinho, Chico Mendes, Lamarca, Mariguela, Frei Tito e Irmã Dulce? Saberão responder quem são Wladmir Herzog, Santo Dias, D. Helder, Clarisse Lispector, Tom Jobim, João Cabral de Melo Neto e Rubem Alves? Escalarão, entre os craques brasileiros, Zumbi dos Palmares, Maria Quitéria, Antonio Conselheiro, Vinícius, Vandré, Prestes e Sepé Tiaraju? Recordarão de Luiz Gonzada, Chico, Vitalino, Euclides da Cunha, Manoel Bandeira, Castro Alves, Rui Barbosa, Carlos Chagas, Dr. Zerbini e Oswaldo Cruz?
Alguém cuidará de informar aos visitantes que aqui estão as mais vastas terras férteis do mundo e oitenta por cento da água doce do planeta? Haverá quem saiba entoar Travessia, Viola Enluarada e a Canção do Expedicionário, ou serviremos aos visitantes rebolations e breganejo?
É chegada a hora de compreendermos que o Pavilhão Nacional não representa somente o pais do futebol, mas antes de tudo o sangue e a alegria de um povo que constrói com talento e trabalho, vitórias que vão muito além das quatro linhas.
Que a taça dó hepta transborde não só de gols e vitórias; mas do fiel entusiasmo de milhões de jardineiros, sabedores que o Éden é aqui!

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