quinta-feira, 7 de agosto de 2014
A BOCETA DE PANDORA
Conta a mitologia grega que Pandora foi a primeira mulher, criada pelos deuses do olimpo e ofertada como presente à Epimeteu que possuía uma boceta (pequena caixa oval) onde guardava todas as maldades do mundo.
Muito curiosa, Pandora não resistiu à tentação e decidiu abrir a caixa para saber o que havia em seu interior... Ao abri-la escaparam-lhe a angústia, ódio, inveja, traição e toda sorte de imprestáveis sentimentos que rapidamente se espalharam por todo mundo.
Um olhar mais atento sobre esse pequeno mito provoca uma reflexão sobre a humanidade. Quantos homens e mulheres levam consigo uma pequena caixa de maldades; dispostos a lançá-las sobre quem quer que lhes provoque contrariedade.
Assim, pessoas invejosas, falsas, mesquinhas e odiosas espalham suas maldades pelo mundo apoiadas muitas vezes em simples ambição pessoal. Para conseguir uma promoção puxam o tapete do colega ao lado (traição); por não atingir o que deseja põe-se a maldizer as conquistas alheias (inveja); coleciona ardorosamente bens dos quais na verdade não precisa em detrimento de tantos famintos (ganância).
Todo esse mal que grassa pela sociedade gera por si mesmo maiores danos. Chegamos a um ponto onde as pessoas tem medo de confiar em outras pessoas; todos vivem com medo do ladrão, do assassino, do traficante, do corrupto e até do vizinho. Pais não respeitam os filhos; filhos maltratam e abandonam seus pais; tudo em nome do proveito pessoal, numa roda que gira e esmaga sem remorso.
Felizmente nem todos foram ainda contaminados! Há muita gente altruísta capaz de dedicar sua vida à construção de uma sociedade mais justa, equilibrada e fraterna; mesmo pagando o preço de ser rotulado como bobo, palhaço, aproveitador ou simplesmente desocupado.
A estes que sentem-se sozinhos em meio ao caos resta um pequeno detalhe do mito grego: “Ao olhar para um cantinho escondido no fundo da pequena caixa, Pandora pode perceber que apenas a esperança não lhe escapou”. Ou seja, por mais que a maldade alheia nos aflija, a esperança nunca nos abandonará.
É com essa energia, movidos unicamente à esperança que devemos nos debruçar sobre os problemas deste mundo, tentando devolver-lhe a paz e a fraternidade a tanto perdida, pois os que virão depois colherão os frutos que agora semeamos.
Juliano Martins de Lima
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