“Sonha e serás livre de espírito...
luta e serás livre na vida”.
Che Guevara
Dentre tantas questões que permeiam as eleições presidenciais de 2010, a candidatura de Marina Silva de fato cumpriu, no primeiro turno, um de seus principais propósitos: quebrar, ainda que momentaneamente a polarização entre PT e PSDB.
Com uma fantástica história de vida, do “seringal do bagaço” ao Senado Federal, Marina contagiou, sobretudo, aqueles que embora repudiassem José Serra, não se sentiam atraídos por Dilma Rousseff, ou estavam descontentes com o governo Lula.
O que não se esperava é que, diante da constrangedora situação de quem precisa declarar voto em um segundo turno do qual fora democraticamente excluída, a Senadora acreana agisse como os políticos profissionais que tanto combate.
Frente a uma questão que só comporta duas respostas, Marina fez o que menos se podia esperar de alguém que pretende liderar uma Nação, acovardou-se! Colocando seu projeto pessoal de 2014 à frente das necessidades do Brasil de agora, sequer teve a coragem de declarar sua neutralidade, escondendo-se sob o eufemismo da independência.
Não seria simples a decisão de Marina, afinal, embora seu atual partido, PV, tenha se tornado há muito legenda secundária do tucanato, sua trajetória de vida dificulta sobremaneira uma aproximação com José Serra. Por outro lado, é pública a falta de empatia entre a senadora e Dilma Rousseff. Contudo, é de decisões complexas e angustiantes que vivem aqueles que lideram seus povos.
Em contraponto à omissão de Marina, recorda-se Mário Covas, que, já debilitado pelo câncer, saiu do hospital e foi às ruas, pedir que os paulistanos votassem em Marta Suplicy contra Paulo Maluf. Embora adversário de Marta e do PT, Covas assumiu a responsabilidade daquele que se tornou homem público e, com serenidade e transparência, tomou posição frente à realidade.
Vinte milhões de brasileiros que depositaram seus votos na ambientalista têm o direito de saber o que ela pensa sobre os rumos do Brasil em 2011.
Numa eleição em que a pauta religiosa toma equivocadamente o centro das discussões políticas, Marina faz lembrar Pilatos, que ao deparar-se repentinamente com a história em suas mãos, lavou-as, entregando a humanidade a sua própria sorte.
Dr.Juliano Martins
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