quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O QUE FAZER?

Dias destes ao solicitar uma assinatura em um abaixo assinado a um senhor que engraxava sapatos diante de meu serviço, recebi uma verdadeira aula que variou de história, passando por filosofia e política, de Goethe e Nietzsche à chegada do homem a lua, da dicotomia socialismo /capitalismo, do mundo dividido, terminando em NÃO.
Sim; terminando em “não eu não vou assinar; porque isso não resolve nada”.
Como pode alguém deixar de assinar um abaixo assinado para um projeto de lei que discute acerca dos vencimentos dos aposentados? Condição esta a que o mesmo e seus pares estarão submetidos no futuro.
Teria sido esta atitude norteada por um exercício de liberdade cidadã? Bem que até poderia ser; não fosse a arrogância neoclássica com que este senhor de meia idade que com certeza já conversou com muitas pessoas e “copiou e colou” idéias ultrapassadas em sua mente – uma colcha de retalhos - que se formatada não restaria muita coisa de identidade própria.
Uma aula espetacular para quem se dispõe a somente ouvir sem ousar contestar sua “divina majestade”; situação que de hilária se torna no mínimo deprimente e própria de quem ainda mantém uma aceitação com o discurso de uma elite fracassada que insiste em ver o país como uma província e que no passado aceitava tudo.
Ainda não somos o que merecemos ser – ou somos?- Mas estamos no caminho – ou não?
A grandiosidade de tudo isso é ver o povo dizendo SIM se tornando desta forma o maior avalista das transformações que se não são revolucionárias é por conta da uma ausência de uma direção comprometida que conduza o povo a “tomar seus destinos em suas mãos, realizar escrupulosamente suas fantasias”.
Não adianta interpretar e entender o mundo se não nos dispomos a mudá-lo.
Mas se assim o fosse, ou seja, se tivéssemos uma direção, um timoneiro, um líder, onde é que ficaria o preceito de que “todo o poder emana do povo?”.
No voto!

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